" Is there anybody going to listen to my story? All about the girl who came to stay. She is the kind of girl you want so much that makes you sorry. Still you don't regret a single day.Oh, girl!" (Girl, The Beatles)



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

' CHAPTER 02 - With a Little Help from my Friends!





“ I get by with a little help from my friends. I get high with a little help from my friends. I’m gonna try with a little help from my friends.”

(With a Little Help from my Friends, The Beatles)




- A Bailey está inventando o rímel? Cadê ela?- perguntava Yancy pela milésima vez.
- Calma, Yan.- disse Kath. - Ela já deve estar descendo.
- Foi isso que você disse a dez minutos atrás!
- Olha aqui...- começou a garota a falar, que foi interrompida por uma Bailey completamente desesperada.
- Eu não demorei muito, demorei?- ofegou ela.
- Não, Bay.- respondeu Katherine- Só o suficiente pra deixar a Yancy bem nervosa.
- Ah, não foi muito.- ironizou Bailey.
Yancy falou impaciente:
- Ótimo, Bay. È melhor nós irmos agora, Kath, os garotos devem estar desesperados.
- Ok. Vou pedir ao meu pai que leve a gente.- disse Katherine subindo as escadas.
A garota correu pelos quartos a procura dos pais e não encontrou ninguém. Ina-porra-creditável; pensou ela. Eles nunca estavam por perto quando realmente precisava deles. Olhou para os dois lados pensando no que faria. Um táxi demoraria muito. Não acreditou no que estava prestes a fazer, mas situações desesperadoras exigem medidas desesperadas. Disse um palavrão e bateu duas vezes no quarto de Thomas. O garoto abriu a porta e perguntou:
- O que você quer?
Há muito tempo não entrava no quarto do irmão, mas continuava como sempre. Milimetricamente organizado. O perfeccionismo de Tommy era o que mais irritava Katherine.
- O que você quer para levar a gente no Beatles' Dinner?- suplicou ela.
Os olhos do garotos se escancararam e ele disse:
- Levar vocês? – e riu estrondosamente.
- Por favor, Thomas! Eu nunca te peço nada, merda. - implorou a garota.
Katherine cruzou os dedos e fitou o irmão com o máximo de submissão que conseguiu.
- Louça lavada por uma semana. -disse ele pegando as chaves do carro.- E aproveite a minha solidariedade.
Katherine precisou resistir ao impulso de abraçar o irmão. Mas soltou um gritinho de excitação e disse:
- Eu sabia que você não poderia ser tão mau, Tommy.
O garoto murmurou alguma coisa e os dois desceram as escadas correndo. As três meninas entraram no carro e Thomas pisou fundo. Chegando lá, Yancy ainda se maquiava com o espelhinho na mão. Thomas impacientou-se e falou:
- Eu pensei que você quisesse chegar rápido, Yancy.
Yan, procurando o curvex na bolsa, disse:
- Tommy, não tente entender as mulheres antes de pegar uma pela primeira vez.
Thomas enrubesceu e falou entre os dentes:
- Vocês têm três exatos segundos pra sair do meu carro. Um...
Antes mesmo do dois as meninas já estavam do lado de fora. Antes, porém, de sair do carro, Katherine disse maternalmente ao irmão:
- Não durma tarde e desligue a TV.
O carro saiu cantando os pneus no asfalto e Bailey falou:
- Vamos entrar. Os garotos vão nos esfaquear.
A três entraram e parecia que Katherine estava de volta ao seu quarto. A garota sentiu-se completamente confortável. Avistaram os meninos a um canto e Katherine pôde ver Richard empertigar-se ao ver Yancy.
- “A gente se encontra às sete em ponto ,ok?”-a voz de Peter imitava Yancy com perfeição se não fosse a dose cavalar de sarcasmo que continha.- São sete e quarenta e cinco.
- Não enche o saco, porra.- disse Katherine abraçando o amigo.- Senti sua falta.
- É, eu também, cadela.- respondeu ele erguendo-a no ar. Pete era alto e tinha sempre um cheiro muito bom. Algo de Hugo Boss com uma pitada de menta.
- Me dá licença, Pete.- disse Mark separando os dois.
Kath riu e abraçou Mark. De todos, ele era o mais protetor. Mark era seu irmão mais velho. Ciumento e possessivo, ele fazia o que Thomas deveria fazer.
- Eu soube que não rolou com a Yan. Que pena.- disse ela ao ouvido dele.
- É. Mas tudo bem. Talvez tenha sido melhor assim. A propósito, você está linda.
Richard já não estava muito bem. Parecia já ter bebido um pouco e tinha os olhos distantes e focados no nada. Kath beijou sua bochecha com carinho, e ele fechou os olhos esboçando um sorriso.
- Seu cheiro me faz lembrar a lua. – disse ele com a voz engrolada e os olhos vermelhos.
Kath olhou para ele preocupada. Quando Richard encarnava o poeta, alguma coisa não estava bem.
Katherine apertou o nariz do garoto e virou-se para cumprimentar os outros. Era tão estranho ter passado tanto tempo sem falar com nenhum deles, visto que conviviam todos os dias. Para ela, todos estavam iguais. Ninguém mudara muito. Talvez Rich estivesse um pouco mais alienado em Yan. Mark parecia ter malhado um pouco também. Daniel estava um pouquinho diferente. Não fisicamente. Mas carregava uma expressão dura e intensa em seu rosto, tanto quanto madura. Katherine saiu de seu devaneio quando Peter perguntou:
- E suas férias ?
- Não pergunte , Pete. Foram horríveis.
- Como a morte. - lamentou-se Richard.
- Não podem ter sido tão ruins, Kath.- disse Daniel.
- Ah, podem sim, Danny.- contestou ela.- Foram um fiasco.- de repente lembrou-se do que a intrigou. - Onde você passou as férias, Dan?
O garoto engoliu rapidamente o pedaço de pizza que comia e respondeu:
- Em um aras no interior, o aras do meu tio. Foi...ok.- ele deu uma pausa para pensar no que dizer e bebeu um pouco de um líquido avermelhado que estava na taça à sua frente.- O lugar é legal, sabe. Mas não tem muito o que se fazer.
Richard entrou no meio da conversa falando:
- Lugar pequeno sempre tem mulher, Dan. Sempre tem coisa pra fazer.
Os três riram e Daniel falou:
- Mas quando acabam as mulheres, acaba o que se fazer.
Richard assentiu com a cabeça e virou a garrafa de cerveja de uma vez só. Katherine curvou-se na direção de Daniel e perguntou baixinho:
- O que aconteceu ? O Rich nunca bebe mais que uma taça.
- É meio complicado, sabe. Ele soube do Mark com a Yancy. O clima entre os dois está meio estranho agora. - respondeu ele com cara de preocupação- Particularmente, eu acho que ele está meio que querendo se mostrar pra Yan.
Katherine olhou para o amigo com pesar e cochichou novamente para Daniel:
- Não é que ela não goste dele, é que simplesmente não daria certo.
- É, eu sei.- concordou ele.
Katherine olhou para os amigos ao redor da mesa. Sentira mesmo saudade daquilo tudo. Mark estava realmente acanhado diante de Richard, que parecia prestes a cair bêbado a qualquer momento. E ela amava tudo aquilo.
Kath olhou para Bay, que parecia estar fora de órbita.Virou-se em seguida para Yancy e perguntou baixinho:
- O cara que a Bay conheceu é daqui de Liverpool?
Yancy mordeu o cubo de gelo que tinha na boca e sorriu maliciosamente.
- Bay! A Kath está perguntando se a bicha que você está pegando é daqui mesmo.- berrou ela para amiga que estava do outro da mesa.
O queixo de Kath caiu e a garota olhou desesperada para Bailey, que parecia mais indignada que nunca e fuzilava Yancy com os olhos. A mesa inteira ria agora e Pete perguntou:
- A Bay? Com outro emo? O que vocês fazem exatamente? Planejam um suicídio romântico pra se encontrarem em um plano superior ou coisa assim?
Todos riram, menos Bailey. Katherine abaixou-se com a suposta desculpa de pegar um garfo para Bay não ver que também ria.
- Não ligue pras coisas que o Peter diz, Bay. Ele é um completo idiota.- disse ela depois de se recompor.
- Nem vem, Mayden. Você também riu.- Mark disse imediatamente em defesa do amigo.
Katherine fuzilou o garoto com os olhos. Não ficara mais claro que o que ela mais queria era ver era que o guarda-chuva de papel na bebida à sua frente entrasse pela garganta de Mark causando-lhe uma dor no mínimo excruciante.
- Eu sei, Mark.- disse ela entre os dentes.- Por isso eu te peço desculpas, Bay. Não era minha intenção te chatear.- e olhou para Pete com reprovação.
- Foi mal, Bailey. Eu também não queria te aborrecer- lamentou-se ele.
Bailey fez seu tão famoso biquinho de chateação e disse:
- Eu não sei porque sempre perdôo vocês. Se eu não fosse eu mesma eu não te desculparia, Pete.
Pete levantou-se de onde estava e abraçou a amiga.
- Se você não fosse você mesma eu não te amaria tanto, então eu não te encheria tanto.
- Porra, a rejeição não pode ser muito pior que isso!- gritou ela.
Então Daniel perguntou:
- Alguém sabe quando as aulas começam?
- Dia primeiro de setembro.- respondeu Richard com a voz engrolada. Ao que parece ele ainda conseguia falar com coerência.
Yancy soltou um guincho agudo - que Kath supôs que fosse um grito - e disse:
- Mas isso é na semana que vem!
- Suponho que sim.- riu-se Daniel- Qual o problema?
- Qual o problema, Worren? Eu não posso começar as aulas sem um guarda-roupa novo! É completamente inadmissível!- Yancy cuspia as palavras em Daniel.
- Perdão, Yan.- Danny implorou teatralmente, sufocando as risadas.- Mas você vai me matar agora. Meu aniversário é na sexta-feira.
Bailey levou as mãos à boca e choramingou:
- Que tipo de amiga eu sou? Eu me esqueci completamente do seu aniversário, Danny.
Yancy agora surtava à mesa, aparentemente sem conseguir respirar.
- Sexta-feira? Worren! - gritou ela, que parecia à beira das lágrimas. - E vocês dizem ser meus amigos! Vocês deviam zelar pela minha sanidade mental!
- Você não tem sanidade mental, Yan.- riu-se Peter.
- Veja só? Então você deveria cuidar para que passasse a ter. E ainda diz que me ama.
Daniel trincou um cubo de gelo entre os dentes e falou:
- Não precisa se preocupar tanto com meu aniversário, Yan. Só chamei seis pessoas.
Yancy franziu a testa e intrigou-se:
- Quem?
Richard começou a rir descontroladamente e derramou a bebida que segurava na toalha da mesa. Yancy afastou-se mecanicamente, receosa de que tal pudesse chegar no seu vestido. Bailey balançou a cabeça desviando o olhar de Richard e se dirigiu a Yancy:
- Yan, você já parou e contou quantos somos aqui, sentados na mesa? Tudo bem, é difícil mesmo, eu te ajudo: somos sete. O aniversariante é o Daniel, então restamos nós seis. Entende? Os convidados somos nós seis!
Por um momento Katherine realmente pensou ter visto Yancy refletindo, mas talvez tenha acontecido em uma fração de segundo, pois logo depois a garota esqueceu os bons modos à mesa e mostrou o dedo do meio para Bay. Bailey fez um gesto em direção ao coração e mandou um beijo para a amiga.
- Onde vai ser a festa, Daniel?
- Na minha casa. - respondeu ele normalmente. - Meus pais vão viajar a negócios e Harry vai dormir na casa de algum amigo. A casa vai ser nossa. - e levantou o copo como se brindasse a algo.
Harry Worren era o irmão mais novo de Daniel. Katherine nunca conhecera uma criança de sete anos mais estranha. Dizem que a verdadeira identidade de uma criança é formada por volta dos quatro anos de idade. A questão é que nessa mesma época, o garotinho assistiu Harry Potter pela primeira vez. Inacreditavelmente, ele realmente pensa que é o garoto Potter de algum universo paralelo. Como se tal fato não bastasse, carrega um graveto no bolso de trás da calça, tem uma cacatua branca chamada Edwiges – apesar de não entender porque ela se recusa a entregar cartas – e assassinou cruelmente o hamster de Bailey, alegando que tal não era um hamster, mas um traidor; o que derramou lágrimas da garota por muito tempo.
- Vai ser quase uma festa de início de ano pra gente, sabem.- disse Kath – Há muito tempo a gente não se diverte juntos. - e deu as mãos à Bailey e a Daniel, que estavam ao seu lado. Os olhos de Bailey ficaram grandes e brilhantes de repente e Yancy provocou-a:
- Por quê? Por que agora, Bay? Será que uma vez na vida você pode tentar não chorar?
Mas foi Pete que respondeu:
- Não. Não dá, Yan. Esse momento é gostoso até pra você que não sente nada. Pode admitir.
Yancy não respondeu. Não carecia. Todos já sabiam a resposta; e era maravilhosa. Porque nada naquela hora poderia separar aquelas mãos. Absolutamente nada.

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