" Is there anybody going to listen to my story? All about the girl who came to stay. She is the kind of girl you want so much that makes you sorry. Still you don't regret a single day.Oh, girl!" (Girl, The Beatles)



terça-feira, 30 de março de 2010

' CHAPTER 04 - THE NIGHT BEFORE



"Last night is a night I will remember you by.When I think of things you did, it makes me want to cry." (The Night Before, The Beatles)


O sol batia em seus olhos fechados, que ela se recusava terminantemente a abrir. Onde estava mesmo? Claro, casa de Yancy. Yancy? Casa de Yancy? Kath levantou-se abruptamente e sacudiu Yan ao seu lado. Já era tarde: o relógio na parede marcava onze e meia da manhã.
- Yancy! - a amiga se mexeu na cama de um lado para outro e puxou as cobertas até a cabeça – Yancy, vadia! Acorda!
A garota abriu os olhos lentamente e olhou para Kath sonolenta.
- O que você quer? - bocejou ela – Ainda é de madrugada.
-De madrugada? - Yancy voltara a fechar os olhos e seu queixo caiu pesadamente no travesseiro – Yancy!
Yan sentou-se de repente na cama, olhou para Katherine e disse:
- Que porra, Mayden. Eu quero dormir! O que você quer?
- Eu disse à minha mãe que voltaria antes do almoço, amor.- disse Kath desesperada. - Desculpe por te acordar, mas eu preciso realmente ir.
-Ok. - Yancy jogou a cabeça para trás e cerrou os dentes pensando. Foi com uma expressão suplicante que implorou – Você se importa em ir com o Pete? Eu estou cagando com dor de cabeça.
Katherine beijou a amiga no rosto e se levantou apressada.
- Tudo bem – disse ela – desculpe por te acordar.
Yan não respondeu; deitou-se pesadamente na cama e voltou a dormir. Kath sorriu, pegou sua bolsa e saiu a procura de Pete.
O irmão mais velho de Yancy, sentado na mesa da cozinha, vestia uma cueca samba-canção de cor roxa, salpicada de estrelinhas douradas. Katherine riu e o abraçou.
-Pete, - cochichou ela com a cara mais pidona que conseguiu -você pode levar a ruivinha pra casa?
Ele deu um beliscão em Kath e se levantou.
- Só se você disser que eu sou gostoso. - disse.
Katherine estalou um tapa na bunda de Pete e fez cara de tarada.
- Você é o mais gostoso, Sullivan.
Ele fechou os olhos saboreando as palavras dela:
- A hipocrisia está de nome novo, Mayden? – ele a abraçou e beijou-lhe a curva do pescoço – Vou me vestir e já te levo.
- Ok.
O caminho pra casa foi bem divertido. Na verdade, tudo era divertido com Pete. Ele sempre conseguia fazê-la rir, pensou Katherine. Ela olhou para Peter ao volante. Ele tamborilava os dedos junto com a bateria de Coldplay, que tocava no carro. Kath não mentiu. Ele era gostoso; muito gostoso. No dedão da mão esquerda, usava sempre um anel com uma cobra enroscada, que tinha pequenos rubis incrustados nos olhos. Presente de aniversário de Yancy, lembrou-se ela. Quando coçava a nuca com o dedão, ele conseguia ser completamente sexy.
- Eu não tenho taxímetro, mas isso vai custar mais que dinheiro. - brincou ele quando chegaram.
-Ainda bem, eu não tenho grana. - disse Kath e com essa beijou-lhe o rosto.- Obrigada, amor.
Katherine saiu do carro e esperou Peter ir embora para entrar em casa. Sorte a dela. Não havia ninguém em casa. Tinha se esquecido que sábado era dia-de-levar-Lisa-ao-shopping. Bem, provavelmente Tom estaria no quarto assistindo Star Wars pela trocentésima vez. Idiota, pensou ela.
Kath abriu a geladeira, pegou uma latinha de Coca e subiu as escadas. Passou pelo quarto do irmão e gritou que havia chegado. Thomas gritou alguma coisa em resposta, que Katherine não esperou pra ouvir. Quando entrou no quarto, assustou-se com alguém sentado em sua cama. Em circunstância alguma ela protestaria sobre alguém tão lindo como Daniel Worren sentado em sua cama, mas quando não se dorme direito e acorda na hora do almoço com uma ressaca insuportável, poucas coisas são agradáveis.
Dan não tinha percebido que ela estava ali. Ela fez um barulho estranho com a garganta como para dizer que tinha chegado. Ele virou-se e deixou cair alguma coisa no chão, que Kath não pôde ver.
- Ei, Danny. - Kath foi até ele e o abraçou.
- Desculpe por entrar no seu quarto assim. É que seu irmão me disse que se você não estivesse aqui, eu poderia te esperar... - começou ele.
-Tudo bem. Eu não me importo. - ela se jogou na cama e ficou olhando para o teto. – Sente-se aí. Fique à vontade. - e piscou pra ele.
- Na verdade eu precisava ir agora. - Kath olhou para ele com a cara de súplica a qual ninguém resistia. - E não faz assim, eu só vim te trazer uma coisa. - E entregou a ela uma caixinha pequena. Katherine se sentou e abriu a caixa. Enrubesceu furiosamente. Esse era o problema de ser ruiva. Não há como se ter vergonha imperceptivelmente. Havia um sutiã vermelho com pequenas flores azuis, um cd dos Beatles e a identidade falsa que carregava.
- Eu esqueci de te entregar ontem.Você...
-Esqueci na sua casa na festa de despedida do ano passado. - completou ela sem levantar a cabeça.
Aquela noite foi tão constrangedora como a vez em que ela, Bay e Yan ficaram bêbadas e correram peladas pelo jardim dos Sullivan. Ok. Isso foi uma hipérbole. Nada seria tão constrangedor como aquilo. Mas na festa de despedida do último ano ela meio que extrapolou na bebida outra vez e perdeu as estribeiras. Nada importaria se ela e Dan não tivessem terminado a noite com uns amassos nada decentes no quarto dos Worren pais. Era a primeira vez que eles se viam sozinhos desde que havia acontecido e ela não sabia o que dizer.
- Eu já vou indo. - e ela nunca havia desejado tão profundamente que ele dissesse isso. Ela se levantou e por algum motivo descobriu que os olhos dele estavam muito verdes, e ela já não conseguiria olhá-los.
- Ok. E...obrigada por trazer.- e fez um gesto com a cabeça para a caixa em cima da cama.
Dan beijou-a no rosto com carinho e desceu as escadas. Kath pôde ouvir quando ele chegou no penúltimo degrau que rangia e logo depois quando ele saiu e bateu a porta atrás de si. Ela ainda estava de pé. Entorpecida. Ela era uma idiota. A partir de hoje, ela pararia de beber.
Claro, querida. Nós sabemos que sim.
Tirou os sapatos, jogou embaixo da cama e ligou a banheira. Deitou-se na cama e esperou que enchesse. Banho quente, moletom, cama, e enfim, o nirvana.

terça-feira, 2 de março de 2010

' CHAPTER 03 - Twist and Shout!


"

"Well, shake it up, baby now. Twist and shout. Come on come on come on come on, baby now. Come on and work it on out."
(Twist and Shout, The Beatles)


Na sexta-feira Yancy combinou que buscaria Katherine em casa para a festa. Faltava menos de meia hora para que ela chegasse e Katherine não tinha idéia do que vestiria. Optou por um tomara-que-caia preto Oscar de la Renta, um jeans Banana Republic, botas de couro pretas e um casaco. Achou que com o casaco talvez sentisse calor, e resolveu tirá-lo. Tudo bem se sentisse frio. Se olhou no espelho e viu que os cachos caíam-lhe ao ombro e seu contraste com o preto da blusa era bem legal.

Katherine ouviu uma buzina alta lá fora. Pegou o lápis preto, o rímel e o gloss, colocou-os dentro da bolsa e saiu correndo. Seus pais não estavam e ela deixou um bilhete na geladeira. Outra vez Yancy buzinou. Paciência, amor; pensou Kath. Trancou a porta da frente e correu para o carro. Sentou-se ofegante no banco de trás, ao lado de Pete.

- Eu não saio com você assim!

- Por que? - indagou Katherine sem saber o que dizer.

- Vestida como uma biscate! - Yancy não tinha uma gota de sensibilidade no sangue? Será que era difícil ser gentil ao menos uma vez?

- Você está linda, Kath . - disse Pete em defesa de Kath. - Você é quem está parecendo uma afegã, Yan. Ninguém te disse que você não precisa usar burca na Inglaterra?

Yancy estava coberta do pescoço aos joelhos por um casaco rosa com gigantescos botões.

- Obrigada, Pete.- agradeceu Katherine. - E o seu irmão está certo, Yan. É melhor você tirar o casaco.

- É um Prada, não vou tirar. – ela deu de ombros e desconversou rapidamente - A Bay disse que uma prima do Danny chegou ontem dos Estados Unidos, então eu suponho que ela também estará lá.

- Que estranho. - disse Pete.

- Estranho por quê? - perguntou Kath.

- O Daniel comentou que ela viria antes, mas depois ela desistiu.

- Que indelicadeza, aparecer sem avisar. Os americanos conseguem ser tão desprezíveis!

Um comentário típico de Yancy: como os americanos são sujos, grossos, indelicados e completamente deploráveis. O que não era assim uma inverdade tão grande.

Katherine virou-se para Pete e perguntou num sussurro:

- Por que ela sempre dirige, mesmo quando é seu o carro?

- Porque se alguma coisa acontecer , a culpa é dela mesma, então ela não vai odiar ninguém por isso.- riu-se Peter.

Chegaram à casa de Dan, e Yancy estacionou. Ao sair despiu o casaco e o jogou no banco da frente do carro. Nem a amiga nem o irmão fizeram nenhum comentário. Peter tocou a campainha e Katherine se surpreendeu ao ver que Dan tinha contratado dançarinas com trajes patriotamente americanos.

- Rose, eu disse que não precisava abrir a porta. - um Daniel completamente desconsertado apareceu atrás da garota que usava uma mini saia de marinheiro e um sutiã bordado com paetês e lantejoulas, formando a bandeira americana. - Gente, essa é a minha prima Rose.

Katherine arregalou os olhos e tentou não olhar para Yancy que ainda tinha no rosto uma expressão de nojo.

- Boa noite. - adiantou-se Peter sem tirar os olhos do decote de Rose. - Meu nome é Peter e essas são Yancy; minha irmã, e Katherine, nossa amiga.

Katherine murmurou um “Muito prazer” sem prestar muita atenção no que dizia. Rose era, dizendo de forma educada, uma puta total. Não era à toa que Kath pensou que ela era dançarina de balcão ou coisa parecida.

Kath foi até Daniel e desejou um Feliz Aniversário. Ele abraçou-a e cochichou ao seu ouvido:

- Desculpe por isso.

Katherine sorriu e respondeu:

- Não faz mal.

Dentro da casa , a batida dos Strokes fazia as janelas tremerem. Na mesa central havia montes de salgadinhos, muito refrigerante e um tonel de cerveja extremamente gelada. Bailey, Mark e Richard chegaram pouco depois e não demorou muito para que eles estivessem se divertindo.

Uma música lenta embalou a sala e todos se sentaram. Kath não pôde deixar de notar que Rose se esfregava nos garotos toda vez que levantava-se para pegar mais cerveja - o que acontecia com alarmante freqüência - e estava sentada de forma que suas pernas ficavam quase totalmente em cima das pernas de Dan, que de modo algum se incomodava.

Garotos são todos uns vagabundos.

Yancy, é claro, não perdeu a oportunidade de fazer um comentário maldoso:

- Será que alguém se voluntaria a pedir que ela pare de agir como uma prostituta barata?- murmurou ela ao ouvido de Bailey, alto o suficiente para que Kath escutasse.

- Nenhum dos meninos se incomoda a esse ponto, sabe. - disse Bailey observando como a priminha-não-tão-inocente de Daniel conseguia prender a atenção de todos os garotos, apenas cruzando e descruzando as pernas a cada minuto.

Katherine olhou para a expressão de asco que Yancy tinha no rosto ao olhar para Rose e provocou-a:

- Yan, será que você não está com ciúmes porque pela primeira vez na vida o Richard encontrou alguém que o fizesse desviar os olhos de você?

Parecia que Yancy havia sido esbofeteada. Katherine sabia que esse não era o motivo – afinal ela também estava prestes a enfiar uma lança no pescoço de Rose – mas estava louca para ver a reação da amiga. Yan olhou para as outras duas, em sinal de desafio e levantou-se abruptamente.

- Quem quer mais cerveja? - perguntou ela em voz alta. Ninguém pareceu ouvi-la. - Eu vou trazer mais cerveja, gente. Alguém pode me ajudar? - perguntou ela ainda mais alto.

- Desculpe, Yan. Agora não. - respondeu Pete com os olhos pregados em Rose.

- Richard? - arriscou ela em meio ao desespero. Ela lançou seu inimitável sorriso e jogou os cabelos para trás.

O garoto acordou de seu devaneio e respondeu:

- Claro, claro, Yancy. - e ao passar por Rose -Com licença.

Yancy virou-se para as amigas com um olhar triunfante e seguiu com Richard. Foi um momento estranho. Um silêncio mórbido tomou conta do lugar. Provavelmente não havia mais o que se dizer ou discutir. Repentinamente, Rose olhou para Katherine e comentou:

- Eu gostei do seu corpete. Ficaria incrível em mim. - disse ela com um gesto em direção à roupa de Kath. - Eu tenho um colo incrível, entende.

Todos ficaram surpresos com a modéstia de Rose e Bailey soltou uma risada estranha, que conseguiu disfarçar com um espirro.

- Obrigada, sua blusa também é...ahn...muito legal. - agradeceu Katherine sem muita certeza do que dizer sobre a roupa da garota, que deu de ombros e continuou:

- Deve ser horrível ser ruiva. - as sobrancelhas de Kath se ergueram. - Você deve se sentir um semáforo ambulante. Além disso, seu cabelo comprido te deixa meio que desproporcional.

Ok, Rose podia ser uma vagabunda de quinta categoria, ela estava mesmo chapada o suficiente pra que alguém a comesse sem ela perceber; mas se tinha lucidez o bastante para fazer um comentário de tal natureza, Katherine tinha todo o direito de se sentir ofendida. Ela sempre gostara da cor de seu cabelo.

- Você enlouqueceu! - gritou Bailey – O cabelo da Kath é lindo. Eu sempre quis ser como ela!

Rose riu maldosamente e disse:

- Qualquer um com o seu cabelo morreria para ser diferente. Até mesmo como ela.

- Espera aí. - Peter levantou-se de imediato. Ninguém ofendia Bailey na sua frente, esse era um direito exclusivo dele. - Eu acho melhor você parar.

Rose levantou-se e olhou para Daniel esperando que ele dissesse alguma coisa. E ele disse, não a favor dela, é claro.

- Cale a boca, Rose. - Kath achou que ele não conseguiria pronunciar uma palavra corretamente, visto seu estado de sobriedade. - A Kath é linda. E ninguém mexe com a Bay na nossa frente. Eu acho melhor você subir.

A garota, encolerizada, andou furiosamente até as escadas. Subitamente, Yancy entra pela porta com uma bandeja com copos de papel cheios de vodka – ao que parece ela e Richard haviam visitado o bar dos Worren – e esbarrou em Rose.

- Cuidado, vadia. - gritou Rose – Se você tivesse derramado algo nos meus sapatos... – mas a frase se perdeu no ar.

Como se alguém falasse assim com Yancy Sullivan; que entregou a bandeja a Richard, pegou um copo de papel e derramou seu conteúdo no sapato de Rose de modo teatral; a qual berrou para Daniel:

- Você não vai fazer nada?

Dan virou em um gole a cerveja que ainda restava na garrafa, deu de ombros e disse:

- Ops.

Foi então que Katherine percebeu que estava boquiaberta. Olhou ao seu redor e viu que Yancy estava falsamente perturbada. Bailey e Peter riam descontroladamente, Daniel tinha uma expressão indecifrável e Mark e Richard estavam visivelmente desconcertados. Kath sentiu-se confiante e sorriu presunçosamente para Rose, que subiu as escadas cuspindo palavrões.

O resto da noite foi perfeito. Os amigos se divertiram até que não tinham mais forças para se mexer, e então deitaram-se no chão, conversando e rindo à toa. Quando a última lata de refrigerante foi esvaziada, já eram sete da manhã e Kath teve o bom senso de dizer que era hora de irem embora.

Um por um, cambalearam para fora, abraçados e cantando alto. Katherine seguiu Yancy e Peter até o carro e jogou-se no banco de trás. Pela primeira vez, ela vira Yan mais chapada que Pete, que assumiu o volante.

Kath estava exausta, mas não fechou os olhos. Olhava para o céu de forma intrigante, como se assistisse um programa levemente interessante. Gostava de pensar no dia que passou antes de adormecer. Quando criança, sentava no colo da mãe e contava como tinha sido seu dia. Já não era assim, é claro, mas a garota adquiriu o hábito de refletir antes de se deitar, ainda que sozinha.

Quando chegaram à casa dos Sullivan, Katherine não se trocou. Jogou-se na cama e apagou do jeito que estava.